domingo, 19 de outubro de 2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Proposta do trabalho


No âmbito da cadeira de Oficina de Design, foi‐nos proposta a criação de um objecto multimédia, que contemplasse todas a nossas competências.
Perante este desafio, tentamos centrar a nossa temática na cidade de Coimbra, nomeadamente na sua história. Elaborámos uma pesquisa sobre diversos monumentos da cidade, da qual surgiu o Mosteiro de Santa Clara‐a‐Velha.
Como objectivo inicial, surgiu o desenvolvimento tridimensional do Mosteiro, onde através de uma animação se recriasse o Mosteiro desde os seus primórdios no século XIII, até aos dias de hoje.
Com o decorrer da investigação, reunimo‐nos com o coordenador do projecto de valorização do Mosteiro, Dr. Artur Corte‐Real, que nos deu uma ideia geral do que envolveu e envolve todo o Mosteiro, quer ao nível da sua história, quer ao nível mais tecnológico.
Perante esta reunião, percebemos que existe um forte apoio ao universo académico, havendo a possibilidade de desenvolver um projecto com a sua cooperação, que aliasse os seus interesses aos nossos, e que posteriormente possa vir a ser aplicado.
Pelo facto de existir já em desenvolvimento uma ideia que vai ao encontro da nossa, foi‐nos proposto o desenvolvimento de uma aplicação virtual em três dimensões, da maqueta física de todo o convento de Santa Clara‐A‐Velha.
Como é um projecto que não limita as nossas expectativas iniciais, decidimos aceitar o desafio.
O nosso projecto consiste então, em modelar a maqueta física, num suporte digital, com a qual vamos reconstituir a época de actividade do Convento, recriando personagens, costumes, cenários e vivências da época.
Esta aplicação poderá ser adaptada em diferentes plataformas, no entanto iremos concentrar‐nos na criação de uma página Web.
Desta página, constarão diversos elementos como animação 3D, fotografia, vídeo, hipertexto, entre outras.
A página Web terá intuito Educativo, Cultural e Promocional. O utilizador poderá de forma interactiva aprender toda a história e o contexto cultural que envolve o Convento, suscitando a curiosidade e interesse em visitar o espaço.
Do projecto constará ainda uma pequena abordagem comunicacional, com criação de um logótipo para o projecto, e respectivo grafismo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Imagens mais antigas




Pormenores








Galeria fotográfica







Descrição do Mosteiro

Na margem esquerda do Mondego em frente à cidade de Coimbra, mandou D. Isabel de Aragão, em 1314, erguer o mosteiro de Santa Clara, no local do primitivo núcleo de monjas clarissas fundado em 1283 por D. Mor Dias.
Domingos Domingues, mestre-empreiteiro do claustro dionisino de Alcobaça, assumiu a direcção das obras, sendo sucedido após a sua morte por Estêvão Domingues, a quem coube a conclusão da igreja (sagrada em 1330) e a construção dos claustros.Contíguo ao Mosteiro mandou igualmente a Rainha D. Isabel construir um hospício para recolhimento de pobres de ambos os sexos e um Paço para si onde, após a morte de D. Dinis, se recolheu.
A planta da igreja apresenta a tradicional separação do coro das monjas da zona dos fiéis e dispõe de três naves de sete tramos rematadas em cabeceira tripartida, sendo de notar a ausência de transepto, o que possibilita a maior largura do claustro que se desenvolve a Sul. Efectivamente o conjunto monástico destaca-se no panorama do gótico português quer pela escala da igreja e do claustro, quer também pela singularidade das naves da igreja serem de altura análoga e integralmente abobadadas em pedra (em vez da cobertura em madeira, usual nas ordens mendicantes).
Dada a proximidade do rio Mondego, a história deste espaço foi desde logo moldada pela invasão das águas. A primeira inundação ocorreu no ano seguinte ao da sagração, e a partir daí as repetidas cheias do rio provocaram o progressivo assoreamento do mosteiro, e determinaram algumas transformações no edifício. No século XVI, o claustro estava já permanentemente alagado de Inverno e de Verão, pelo que no início do século seguinte, entre 1612 e 1616, foi necessário construir um andar superior à sua volta e um piso intermédio ao longo das naves da igreja (reduzindo assim a metade a sua notável verticalidade gótica), abandonando-se definitivamente a parte inferior do templo.
Em 1677 dá-se a inevitável transferência da comunidade para o mosteiro de Santa Clara-a-Nova, construído mais acima, no Monte da Esperança, razão porque passou este a ser conhecido por Santa Clara-a-Velha. Este abandono e a imersão nos sedimentos e águas, ao causar o desmoronamento e ruína da estrutura claustral, permitiu também que a parte inferior se mantivesse inalterada durante os séculos seguintes, sem intervenções e acrescentos estilísticos posteriores.
Entre 1995 e 1999 procedeu-se a uma vasta campanha arqueológica, rebaixando-se o nível freático, através do bombeamento permanente das águas, para permitir uma escavação mais próxima do ambiente "seco", e que levou à desobstrução da igreja e do claustro até à cota do pavimento, pondo a descoberto as estruturas arquitectónicas até então enterradas e submersas, contribuindo com novos dados para a história da arte e da arquitectura portuguesas.

No processo de escavação, foram encontrados abundantes e diversificados materiais, quer em associação aos enterramentos, quer aos vários espaços conventuais - espólio representativo do quotidiano da comunidade monástica: o estudo dos adereços e adornos, dos instrumentos e utensílios, das ossadas, dos restos de cozinha, da cerâmica, dos vidros e dos têxteis, etc. permitirá o avanço do conhecimento dessa mesma comunidade e das suas vivências.Projecto interdisciplinar, o estudo global do conjunto monástico permitiu abrir múltiplas e complementares frentes de trabalho e investigação em campos tão diversos como a geologia, a botânica, a antropologia, a modelação virtual.
Dada a importância das descobertas, e no âmbito do projecto de recuperação e requalificação do mosteiro, foi lançado em 2002 o "Concurso internacional para o projecto de valorização do mosteiro e terrenos envolventes", que contempla a construção de um edifício que albergará o Serviço Dependente (instituído pelo DL n.º 120/97 de 16 de Maio), o qual inclui um núcleo museológico e de investigação.
A conclusão de todo este projecto (em fase de execução), e a abertura permanente ao público está prevista para 2008.


In www.ippar.pt
Lígia Inês Gambini